Amazon começa a vender eletroeletrônicos e ameaça redes brasileiras
Sempre na esteira da americana, chinesa Alibaba pode ser a próxima se instalar no país
A entrada da americana Amazon nas vendas de eletrônicos pela internet, a partir desta quarta-feira (18/10/2017), deve diminuir as margens das varejistas brasileiras que atuam no e-commerce. Além de uma empresa a mais para dividir o faturamento dos negócios, as empresas podem ter ainda que concorrer com outro gigante global, a chinesa Alibaba. Analistas ouvidos pelo GLOBO dizem que, para as varejistas nacionais se manterem competitivas no mercado, terão que se renovar e investir em tecnologia.
— A estratégia dessas gigantes é semelhante. Onde a Amazon está ganhando mercado, logo em seguida a Alibaba chega, e começa a operar. As empresas brasileiras terão que se reciclar para concorrer com essas gigantes, pois o mercado não deve crescer muito com a entrada desses novos players — diz Ulysses Reis, professor dos MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De acordo com dados da Ebit, empresa especializada em informações sobre o comércio eletrônico brasileiro, o e-commerce no país faturou R$ 21 bilhões no primeiro semestre deste ano, um crescimento nominal de 7,5% ante o mesmo período de 2016, quando foram registrados R$19,6 bilhões. O número de pedidos aumentou 3,9%, de 48,5 milhões para 50,3 milhões, e o tíquete médio cresceu 3,5%, passando de R$ 403 para R$ 418. Para este ano, a expectativa é de um crescimento de 10% no faturamento, chegando a R$ 49 bilhões.
Antes mesmo de começar a vender, a chegada da Amazon já teve um efeito ruim para as varejistas locais com capital aberto. Em um mês, as ações da Magazine Luiza, uma das queridinhas do mercado, recuou 17%; os papéis da Via Varejo, do Grupo Pão de Açúcar, caíram 8%. As ações da B2W, dona da Lojas Americanas, encolheram 9% de 17 de setembro até ontem.
De acordo com o analista da Ativa Corretora, Phillip Soares, essas empresas devem perder mercado a partir de agora com a entrada da Amazon. “Tudo indica que o mercado não irá crescer com um novo concorrente, e a tendência é a divisão da receita. O marketplace é um segmento que vem crescendo muito dentro do comércio eletrônico e as empresas do setor têm estratégias para atuar nessa área”, disse ele em relatório.
Segundo Soares, a B2W, por exemplo, uma das líderes em marketplace no Brasil, trabalha com a expectativa de dobrar o volume vendido em sua plataforma neste ano, chegando a R$ 4,5 bilhões em receitas. No ano passado, faturou R$ 2,2 bilhões. Em 2018, a meta da empresa é comercializar R$ 9 bilhões.